Equipe iPsy 1º de maio de 2026
Abril chegou com o azul nas fachadas e com uma agenda que ninguém esperava: foi sancionado o novo Plano Nacional de Educação, foi aprovado mais um avanço na regulamentação da nossa profissão, e a ciência nos entregou um achado que pode mudar a forma como pensamos avaliação de neurodivergência — TEA e TDAH talvez sejam menos “duas caixinhas” e mais “duas faces da mesma rede cerebral”.
Ao mesmo tempo, novos casos de violência contra crianças autistas dentro de escolas vieram à tona, lembrando que a inclusão escolar ainda está muito longe de ser realidade no Brasil.
Preparei este resumo do mês para você ter, em um só lugar, tudo o que precisa para atualizar sua prática, conversar com a equipe multidisciplinar e fundamentar seu trabalho com famílias e escolas. Boa leitura.
💙 ABRIL AZUL — O QUE A CIÊNCIA NOS ENTREGOU NESTE MÊS
A descoberta que muda como entendemos TEA e TDAH juntos
Em 9 de abril, o Child Mind Institute (Nova York) divulgou no periódico Molecular Psychiatry um achado que tem grande potencial de mexer com a forma como avaliamos crianças neurodivergentes. A equipe liderada por Adriana Di Martino, diretora do Autism Center do Child Mind, analisou imagens de ressonância magnética funcional em estado de repouso de 166 crianças verbais entre 6 e 12 anos — diagnosticadas com TEA ou com TDAH (sem TEA).
O achado central: a severidade dos sintomas autistas — e não o rótulo diagnóstico — é o que prediz padrões específicos de conectividade cerebral. Crianças com sintomas autistas mais intensos apresentaram maior conectividade entre as redes frontoparietal (FP) e default-mode (DM), independentemente do diagnóstico que carregavam. Essas redes são essenciais para cognição social e funções executivas, e normalmente vão se desconectando ao longo do desenvolvimento típico — quando isso não acontece, é sinal de maturação atípica.
E mais: esse padrão de conectividade coincidiu com a expressão de genes já implicados tanto em TEA quanto em TDAH.
O que muda na prática: estudos como esse fortalecem o que muitos de nós já vínhamos observando no consultório — a comorbidade entre TEA e TDAH não é só uma soma de duas condições. Há uma sobreposição neurobiológica real. Para a avaliação psicopedagógica, isso reforça que precisamos pensar em dimensões funcionais (atenção, regulação, cognição social, flexibilidade) e não apenas em rótulos diagnósticos. Um plano de intervenção que olhe só para o diagnóstico principal pode estar deixando de fora pedaços importantes do funcionamento da criança.
Mapa Autismo Brasil: 33% das mulheres só são diagnosticadas após os 20 anos
Divulgada em abril pelo Instituto Autismos, em parceria com agências brasileiras, a pesquisa Mapa Autismo Brasil ouviu 23.632 pessoas em todos os estados — 16.807 responsáveis por pessoas autistas, 4.604 adultos autistas e 2.221 que se identificam tanto como autistas quanto como responsáveis por outras pessoas autistas.
Os dados que mais chamaram atenção foram os de gênero:
- 33% das mulheres autistas só recebem diagnóstico após os 20 anos, contra apenas 9% dos homens.
- Na infância, 61,6% dos meninos recebem diagnóstico entre 0 e 4 anos, contra 37,2% das meninas.
- Apenas 20,4% das pessoas autistas entrevistadas confirmaram o diagnóstico pelo SUS.
- 56,5% dos entrevistados fazem até duas horas semanais de terapia — muito abaixo do que a literatura internacional recomenda (terapias multidisciplinares com carga elevada).
A pesquisa reforça o conceito de “fenótipo feminino” do autismo: meninas tendem a apresentar interesses socialmente aceitos vivenciados com hiperfoco, comunicação apoiada em imitação social (camuflagem) e sintomatologia mais sutil — o que faz com que sejam interpretadas como “tímidas”, “introspectivas” ou “ansiosas”, e recebam diagnósticos equivocados de ansiedade, depressão ou transtorno alimentar antes do diagnóstico correto de TEA.
O que muda na prática: quando uma adolescente ou adulta chega ao seu consultório com queixas difusas, exaustão emocional persistente, dificuldades sociais que ela “compensa” se esforçando o tempo todo, e uma história de diagnósticos que não fecharam, é nosso papel pensar em fenótipo feminino. A camuflagem social não é só um detalhe — é um fator central de adoecimento mental nessas pacientes.
TEA ao longo da vida: por que o autismo do adulto não é o mesmo da criança
Publicado em abril na Molecular Psychiatry, a revisão de Wang, Lv, Jiang e colaboradores propõe um modelo de TEA “ao longo da vida” — argumentando que os sintomas centrais (déficits de comunicação social e padrões repetitivos sensorimotores) seguem trajetórias dinâmicas em diferentes fases do desenvolvimento, com desafios distintos em cada idade.
Os autores criticam que a maior parte da pesquisa em TEA se concentra na infância, deixando de fora as necessidades específicas de adolescentes, adultos e idosos autistas. E propõem um framework de suporte por estágios da vida, com estratégias customizadas para cada fase do desenvolvimento.
O que muda na prática: isso conversa diretamente com o aumento explosivo de adultos buscando avaliação para TEA no Brasil. O perfil do autista de 35 anos — que provavelmente passou décadas em camuflagem, acumulou comorbidades emocionais e desenvolveu estratégias compensatórias sofisticadas — exige um olhar muito diferente do perfil da criança de 5 anos. Avaliação e plano de intervenção precisam considerar a fase do desenvolvimento, não só o diagnóstico.
Vias moleculares: 23 genes do neurodesenvolvimento, três caminhos comuns
Publicado em 23 de abril na Nature Communications, um estudo internacional analisou 23 genes associados a transtornos do neurodesenvolvimento (incluindo TEA) em diferentes modelos e tipos celulares cerebrais. Os autores encontraram que, apesar da enorme diversidade genética, esses genes convergem em três processos biológicos comuns: biologia sináptica, regulação epigenética e função mitocondrial.
A descoberta reforça o que já vínhamos vendo nos últimos anos: o TEA não tem “uma causa” — tem centenas de variações genéticas que, no fim das contas, afetam três grandes vias de funcionamento neural. Isso explica por que intervenções podem funcionar de formas diferentes para crianças com perfis aparentemente parecidos.
Para nós, psicopedagogos: esse achado fundamenta a necessidade de avaliação funcional individualizada. Duas crianças com o mesmo diagnóstico podem ter perfis de funcionamento muito distintos porque as vias afetadas são diferentes. Protocolo padronizado sozinho não dá conta — observação clínica e hipóteses funcionais específicas continuam sendo o nosso ouro.
LEGISLAÇÃO E POLÍTICAS PÚBLICAS — O MÊS HISTÓRICO
Sancionado o novo PNE 2026-2036: o que muda para nós, psicopedagogos
Em 14 de abril de 2026, o presidente Lula sancionou a Lei nº 15.388/2026 — o novo Plano Nacional de Educação para o decênio 2026-2036. São 19 objetivos, 73 metas e 372 estratégias que vão orientar a política educacional brasileira nos próximos dez anos. O investimento público em educação, hoje em torno de 5,5% do PIB, deverá chegar a 7,5% no sétimo ano de vigência e a 10% até 2036.
Para a nossa área, o ponto mais relevante é o Objetivo 9, dedicado integralmente à educação especial inclusiva e à educação bilíngue de surdos. Entre as metas que mais impactam a prática psicopedagógica:
- Plano Educacional Individualizado (PEI) para 100% dos alunos da educação especial. Cada criança com deficiência, TEA ou altas habilidades passa a ter direito a um plano próprio, elaborado pela escola junto com a família, com adaptações curriculares, apoios necessários e metas de aprendizagem individuais.
- Formação em educação inclusiva para 100% dos professores até 2032. Hoje apenas 6,4% dos docentes têm formação continuada certificada em Educação Especial.
- Inclusão da matemática como critério formal de alfabetização — algo inédito nos planos nacionais brasileiros. Até agora, alfabetização era leitura e escrita; agora, raciocínio matemático e numeramento entram oficialmente.
- Monitoramento bienal público das metas, com divulgação por estado e município feita pelo Inep.
- Estados têm 12 meses e municípios têm 15 meses para elaborar seus planos decenais alinhados ao PNE.
Os dados que justificam essas metas são duros: hoje o Brasil tem 2,5 milhões de matrículas na educação especial, mas apenas 25,1% das escolas têm sala de recursos multifuncionais.
O que muda na prática: o PEI deixa de ser uma boa prática de algumas redes e vira obrigação legal universal. Para quem atua institucionalmente, isso significa que vamos ser cada vez mais demandados para participar da elaboração e do monitoramento de PEIs. Para quem atua clinicamente, o relatório psicopedagógico ganha ainda mais peso como insumo do PEI escolar. Vale começar a estudar agora as melhores práticas de elaboração e revisão de PEI — porque a demanda por esse trabalho vai explodir nos próximos meses.
PL 116/24 aprovado na Comissão de Saúde da Câmara
Enquanto o PL 1.675/23 chegava à Câmara vindo do Senado, o PL 116/24 — projeto paralelo de regulamentação da psicopedagogia, de autoria da deputada Dayany Bittencourt — avançou também: foi aprovado pela Comissão de Saúde da Câmara dos Deputados em abril, sob relatoria do deputado Dr. Francisco (PT-PI). O texto aprovado é o substitutivo da Comissão de Educação.
Os pontos centrais do texto aprovado:
- Poderão exercer a psicopedagogia titulares de diploma de graduação em psicopedagogia, ou formados em pedagogia, psicologia, fonoaudiologia ou licenciaturas que concluírem especialização na área, com carga mínima de 600 horas, em até 60 meses após a publicação da lei.
- Profissionais com qualquer graduação que tenham concluído especialização em psicopedagogia de no mínimo 360 horas antes da publicação da norma também ficam autorizados.
- Pessoas que comprovem atuação na área por pelo menos um ano podem continuar atuando, desde que obtenham graduação ou especialização em até cinco anos.
- Estágio prático supervisionado passa a ser obrigatório tanto na graduação quanto nas especializações de 600 horas.
- Detalhamento das atribuições em contexto educacional, clínico, hospitalar e institucional.
- Sigilo profissional obrigatório, com sanções civis e penais em caso de descumprimento.
Próximo passo: a CCJ da Câmara.
PL 1.675/23 segue para a Câmara: a regulamentação está mais perto
Em 1º de abril de 2026, encerrou-se sem interposição de recurso o prazo para apreciação pelo Plenário do Senado do PL 1.675/23 — o projeto que dispõe sobre o exercício da atividade de psicopedagogia. Como não houve recurso, a matéria, aprovada terminativamente pela Comissão de Assuntos Sociais em março, seguiu oficialmente para a Câmara dos Deputados.
Agora os dois projetos (1.675/23 vindo do Senado e 116/24 nascido na Câmara) passam a tramitar em paralelo. O resultado mais provável é apensamento e construção de um texto consolidado.
Por que isso importa: depois de quase 30 anos de tramitação, a regulamentação está finalmente próxima. Independente de qual texto prevalecer, ambos exigem 600 horas de especialização para profissionais de áreas correlatas. Se você ainda não tem essa carga horária, o momento de organizar sua trajetória é agora.
MEC lança diretrizes oficiais de IA na educação básica
Em 8 de abril de 2026, o MEC realizou o webinário “IA na educação básica: caminhos para o currículo e a prática docente” e lançou o documento orientador “Inteligência Artificial na Educação Básica”, em parceria com a UNESCO. Junto, foi lançado o curso “IA na prática docente: uso ético, criativo e pedagógico”, disponível na Plataforma Mais Professores.
Os princípios centrais do documento:
- Supervisão humana obrigatória em qualquer aplicação de IA em processos educacionais.
- Compromisso com transparência e explicabilidade dos sistemas.
- Observância da LGPD e do ECA Digital.
- Valorização do trabalho docente — IA como apoio, nunca como substituto.
- Estímulo a ecossistemas abertos e auditáveis.
O texto articula dois eixos: o ensino sobre IA (letramento crítico) e o ensino com IA (ferramenta pedagógica). E coloca a centralidade do ser humano como princípio inegociável.
Para a nossa área: se você usa ferramentas de IA na sua prática clínica — desde apoio à elaboração de relatórios até planejamento de sessões — o referencial do MEC é uma boa bússola ética. E se você presta consultoria a escolas, esse documento agora é o documento oficial que orienta o que pode e o que não pode na adoção de IA pelas redes.
O QUE ACONTECEU NAS ESCOLAS DO BRASIL
Mais dois casos de violência contra crianças autistas em escolas
Em março, falamos dos casos de Manaus e Maceió. Abril infelizmente trouxe mais dois casos graves para o noticiário:
- Candeias do Jamari (RO), 24 de abril: uma criança autista de 8 anos foi agredida por outro aluno dentro da Escola Maria Gorete. Mãe acionou a Polícia Militar. A direção alegou que o número alto de alunos impossibilita supervisão individualizada e que a cuidadora designada não tem responsabilidade nos intervalos.
- São José do Rio Preto (SP), 23 de abril: um adolescente de 12 anos com TEA e deficiência intelectual teve o braço quebrado após violência sofrida na Escola Estadual Professor Bento Abelaira Gomes. A direção inicialmente alegou queda acidental. A mãe contestou com base em relatos de outros estudantes. A criança recusa-se a voltar para a escola. O caso foi registrado como lesão corporal.
Em paralelo, o Diário do Grande ABC publicou em 12 de abril levantamento mostrando que as denúncias de violação aos direitos de pessoas autistas no Disque 100 cresceram 53% na região do Grande ABC (de 233 em 2023 para 356 em 2025). Algumas cidades específicas tiveram saltos ainda maiores — Diadema, por exemplo, registrou aumento de 223% de 2024 para 2025.
O que isso nos diz: a inclusão escolar continua sendo a fronteira mais frágil da educação especial brasileira. Enquanto a legislação avança, a realidade do dia a dia da sala de aula segue marcada pela falta de formação de professores, pela ausência de estrutura de apoio e por uma cultura de cuidado que ainda não aprendeu a ler comportamentos atípicos como demanda comunicativa. Para nós, isso reforça duas coisas: observação atenta a sinais de regressão em crianças que atendemos (mudanças bruscas de humor, recusa escolar, queixas físicas inespecíficas, retrocessos comportamentais) e coragem de orientar famílias quando os indícios apontam para violência institucional.
Lei do celular nas escolas: pesquisa nacional fechou em 2 de abril
Encerrou-se em 2 de abril de 2026 o prazo para mais de 8 mil escolas públicas e privadas responderem à Pesquisa Nacional do 1º ano da Lei nº 15.100/2025 — a lei que restringe o uso de celulares na educação básica. A pesquisa, conduzida pela Secretaria de Educação Básica do MEC em parceria com o Inep e o Instituto Alana, avalia como a lei está sendo implementada nas redes e quais efeitos vem produzindo no clima escolar, na atenção dos estudantes, na socialização e no uso pedagógico das tecnologias.
Os resultados consolidados ainda não foram divulgados — devem sair nos próximos meses. Mas os dados que sustentaram a criação da lei já são impressionantes: o PISA 2022 mostrou que 80% dos estudantes brasileiros afirmavam se distrair e ter dificuldades de concentração em aulas de matemática por causa do celular.
Por que acompanhar: o Brasil é o segundo país do mundo em tempo de tela. Quando os resultados da pesquisa saírem, vão mexer diretamente com a forma como pensamos atenção, foco e regulação em crianças e adolescentes. Ficaremos de olho.
REDES SOCIAIS E DESINFORMAÇÃO
Estudo da University of East Anglia: 52% dos vídeos sobre TDAH no TikTok têm erros
Publicada em abril no Journal of Social Media Research, uma revisão sistemática inédita liderada pela University of East Anglia analisou mais de 5 mil postagens sobre saúde mental em YouTube, TikTok, Facebook, Instagram e X (Twitter), abordando autismo, TDAH, depressão, ansiedade e outros transtornos.
Os achados, em alguns casos, são alarmantes:
- 52% dos vídeos sobre TDAH no TikTok apresentavam informações imprecisas.
- 41% dos conteúdos sobre autismo continham informações incorretas.
- Em algumas categorias específicas, o índice de desinformação chegou a 56%.
- O TikTok foi a plataforma com piores índices de qualidade de informação.
A psiquiatra Isabella de Souza, da UFRJ, ouvida pela imprensa nacional, ressaltou que a desinformação em saúde mental não é só um incômodo — ela induz a diagnósticos e tratamentos errados, gera retrocessos no acesso a direitos e, em alguns casos, chega a sugerir práticas perigosas (como automutilação como “alívio”) principalmente para jovens.
O que muda na prática: quase todo psicopedagogo hoje recebe famílias que chegam ao consultório com um autodiagnóstico fechado — “minha filha é autista”, “meu filho tem TDAH” — baseado em vídeos de TikTok. Esse estudo nos dá um número concreto para conversar com a família: mais da metade do que circula sobre TDAH e quase metade do que circula sobre autismo no TikTok está errado. A conversa não é sobre desautorizar a família — é sobre construir uma postura de pensamento crítico em conjunto, validando a busca por informação e ao mesmo tempo apontando os limites da fonte. Materiais que apresentam estudos científicos recentes, análises teóricas e relatos pessoais bem contextualizados podem ser bons aliados; conteúdos do tipo “se você faz isso, pode ter X” são quase sempre simplistas.
ABRIL AZUL NAS RUAS — O QUE ROLOU NO ECOSSISTEMA
A campanha Abril Azul 2026 chegou com dois temas em paralelo:
- “Autismo e Humanidade: Toda Vida Tem Valor” — tema oficial sugerido pela ONU, defendendo o autismo como variação neurobiológica natural.
- “Autonomia se constrói com apoio” + hashtag #RESPECTRO — slogan adotado por entidades brasileiras, combinando respeito e espectro.
Entre os principais eventos do mês:
- V Congresso Nacional do Espectro Autista — 10 de abril, FAMINAS, Muriaé (MG).
- Seminário Autismo de Santos (5ª edição) — 11 de abril, Santos (SP).
- Caminhada pelo Autismo de São Paulo — organizada pelo Centro Lumi, Associação Inspirare e TEApoio.
- Corrida da Conscientização do Autismo — 19 de abril, Parque Ecológico do Tietê (SP), 5,2 km.
- VIII Caminhada do Dia Mundial da Conscientização do Autismo — 12 de abril, Santo André (SP).
- Ação no Maracanã (Fluminense x Chapecoense) — visibilidade da pauta TEA em jogo de futebol, articulada pela Subsecretaria de Políticas Inclusivas/RJ e Comissão da Pessoa com Deficiência da Alerj.
- Iluminação azul de prédios públicos em capitais e municípios de todo o país durante todo o mês.
Estados como Rondônia, Alagoas e São Paulo organizaram “Dias D” de Educação Especial Inclusiva nas escolas estaduais, com formações para professores, debates com alunos, performances em Libras e rodas de conversa com famílias atípicas.
FECHAMENTO: O QUE LEVAR PARA MAIO
Abril foi um mês de virada — científica, legislativa e de visibilidade pública. Algumas recomendações para os próximos passos:
1. Estude o Objetivo 9 do novo PNE. A meta de PEI universal e de formação em educação inclusiva para 100% dos professores vai mexer com toda a prática institucional dos próximos anos. Vale a leitura direta da Lei nº 15.388/2026.
2. Aproveite o achado do Child Mind Institute para conversar com famílias e equipes. Quando uma família perguntar se “o diagnóstico realmente importa”, você pode dizer: pesquisa de abril com 166 crianças mostrou que a severidade dos sintomas autistas, e não o rótulo, é o que prediz padrões cerebrais. Isso não enfraquece o diagnóstico — fortalece a importância da avaliação funcional.
3. Atenção redobrada ao fenótipo feminino. Os dados do Mapa Autismo Brasil são claros: meninas e mulheres autistas estão chegando ao diagnóstico décadas depois dos meninos. Adolescentes com queixas difusas, exaustão emocional persistente e história de “tratamentos que não fecharam” merecem investigação ampliada.
4. Organize sua trajetória de regulamentação. Com o PL 1.675/23 e o PL 116/24 tramitando em paralelo na Câmara, a regulamentação pode sair ainda em 2026. Garanta que sua especialização atende ao critério de 600 horas (ou de 360 horas, conforme o texto do PL 116/24, para quem já tem formação anterior).
5. Posicione-se contra a desinformação — sem desautorizar a família. O dado de 52% de erro em vídeos de TDAH no TikTok é uma ferramenta. Use em conversa, não em julgamento. A família que chega com autodiagnóstico está buscando fazer a coisa certa pelo filho — nosso papel é construir junto um caminho mais sólido.
6. Continue de olho nos sinais. Os casos de Rondônia e Rio Preto não são exceções. Crianças neurodivergentes em ambiente escolar precisam que alguém leia os sinais que elas mesmas nem sempre conseguem verbalizar. Quando uma criança que você atende começar a apresentar regressão comportamental, recusa escolar súbita ou queixas físicas inespecíficas, vale levantar a hipótese.
Nos vemos na edição de maio. Cuide-se — e continue fazendo a diferença.