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Avaliação Cognitiva

Figura de Rey desfavorável: o que usar no lugar

Equipe iPsy
Atualizado em 7 min de leitura
Psicopedagogia e neuropsicopedagogia
Faixa etária
4–88 anos
Quem aplica
Desfavorável no SATEPSI
Categoria
Avaliação Cognitiva

Figura Complexa de Rey em resumo

O que é
Tarefa de copiar uma figura geométrica complexa e depois reproduzi-la de memória. Edição brasileira: Figura A (5 a 88 anos) e Figura B (4 a 8 anos).
Situação no SATEPSI
As duas edições brasileiras constam como desfavoráveis (consulta de 25/09/2026). Não podem ser usadas como teste psicológico, nem por psicólogo.
O que usar no lugar
Com parecer favorável: NEUPSILIN-Inf (6 a 12 anos), Bender B-SPG-rev (6 a 10), BVRT de Benton (7 a 30 e 60 a 75) e TEPIC-M-2 (15 a 92). A escolha é do psicólogo.
E o psicopedagogo
Não aplica testes psicológicos. Lê o laudo, descreve como a criança copia e organiza a folha nas tarefas escolares e encaminha ao psicólogo quando a hipótese pede.

A Figura Complexa de Rey não vale mais como teste psicológico no Brasil. As duas edições brasileiras das Figuras Complexas de Rey constam como desfavoráveis no SATEPSI (consulta de 25/09/2026). Se você chegou procurando a Figura de Rey, este guia explica o que era o teste, o que o parecer desfavorável significa, como ler um laudo antigo que o cita e quais instrumentos com parecer favorável avaliam os mesmos construtos: construção visuoespacial pelo desenho e memória visual.

1. O que era a Figura Complexa de Rey

A Figura Complexa de Rey-Osterrieth foi criada por André Rey em 1941 e padronizada por Osterrieth em 1944 (daí a sigla internacional ROCF, Rey-Osterrieth Complex Figure). É uma figura geométrica complexa — um retângulo grande, com linhas e detalhes dentro e fora dele — que o examinando copia e, depois, sem aviso prévio, reproduz de memória.

Por isso ela era usada para observar, numa só tarefa, a construção visuoespacial pelo desenho (a cópia, e como a pessoa a organiza) e a memória visual (a reprodução). Na edição brasileira (Hogrefe), a Figura A se destinava a pessoas de 5 a 88 anos, e a Figura B, a crianças de 4 a 8 anos.

Essas perguntas clínicas continuam valendo — o que mudou foi o instrumento disponível para respondê-las. Por isso este guia não ensina mais a aplicar nem a pontuar a Figura de Rey: aponta os testes com parecer favorável que avaliam os mesmos construtos.

2. Situação no SATEPSI

Na consulta às listas oficiais do SATEPSI (Conselho Federal de Psicologia) em 25/09/2026, as duas edições brasileiras aparecem na lista de testes desfavoráveis:

InstrumentoAutoras e editoraSituação
Figuras Complexas de ReyMaisa dos Santos Rigoni e Margareth da Silva Oliveira; CasaPsiAprovada em 19/03/2010; hoje desfavorável, com prazo vencido
Figuras Complexas de Rey: teste de cópia e de reprodução de memóriaAndré Rey e Margareth da Silva OliveiraDesfavorável desde 18/10/2003

O link da lista de desfavoráveis está nas Fontes, ao fim da página (o site do SATEPSI pede uma verificação anti-robô antes de mostrar a lista). As listas mudam a cada plenária do CFP: para fundamentar um documento, confira de novo.

3. O que isso significa na prática

Teste com parecer desfavorável não pode ser usado pelo psicólogo como teste psicológico — nem em avaliação nova, nem para fundamentar laudo. Não é uma questão de quem aplica: hoje nenhum profissional pode apresentar a Figura de Rey como medida válida.

Lendo um laudo antigo que cita a Figura de Rey

  1. 1Confira a data e a edição. A edição de Rey e Oliveira consta como desfavorável desde 18/10/2003. A de Rigoni e Oliveira foi aprovada em 19/03/2010 e hoje está desfavorável, com prazo vencido — a data exata do vencimento não aparece no registro da nossa consulta; se ela importar para o seu caso, confira no SATEPSI. Na dúvida, pergunte a quem assinou o laudo qual edição e qual norma usou.
  2. 2Trate o resultado como informação datada. Mesmo um laudo bem feito descreve a pessoa daquela época. Se uma decisão importante depende desse resultado, peça reavaliação com instrumento de parecer favorável.
  3. 3Separe o número da descrição. A pontuação comparada a normas é a parte que perdeu respaldo. O que o laudo descreve do comportamento durante a tarefa é observação do profissional — útil como pista, nunca como medida.
  4. 4Não reproduza o escore como dado atual. No seu relatório, cite o laudo — profissional, data e instrumento — sem copiar pontuação nem converter classificação por conta própria.

E, como antes, nenhum resultado isolado fecha diagnóstico: TDAH, dispraxia ou qualquer outro quadro exige avaliação clínica integrada, com anamnese e instrumentos complementares.

4. O que usar no lugar: testes favoráveis para os mesmos construtos

Todos os instrumentos abaixo estão na lista de testes psicológicos favoráveis do SATEPSI (consulta de 25/09/2026). O que cada um avalia vem da editora ou de artigo publicado, com o link nas Fontes:

InstrumentoO que avalia (segundo a fonte)Idade da amostra de normatização
NEUPSILIN-Inf — Avaliação Neuropsicológica Breve InfantilBateria breve com habilidades visuoconstrutivas (cópia de figuras) e memória, incluindo evocação de figuras e memória de trabalho visuoespacial (Salles e colaboradoras, Psico-USF, 2011)6 a 12 anos
B-SPG-rev — Bender, Sistema de Pontuação Gradual RevisadoCópia de figuras geométricas: o Bender é o Teste Gestáltico Viso-Motor6 a 10 anos
BVRT — Teste de Retenção Visual de BentonMemória visual de curto prazo, percepção visual e praxia visuoconstrutiva (Vetor)7 a 30 e 60 a 75 anos
TEPIC-M-2 — Teste Pictórico de Memória 2Capacidade de recuperar informações visuais em curto espaço de tempo (Vetor)15 a 92 anos

Três cuidados. Nenhum deles é uma cópia da Figura de Rey: cada um cobre parte do que ela avaliava, e o psicólogo combina instrumentos conforme a pergunta. Confira a idade: as amostras não cobrem todas as idades — o BVRT, por exemplo, tem amostra de 7 a 30 e de 60 a 75 anos, e a Vetor descreve normas por grupos (crianças de 7 a 9 anos, adolescentes de 14 a 18, universitários de 17 a 30 e idosos). Todos são testes psicológicos, de uso do psicólogo — a Vetor indica o BVRT e o TEPIC-M-2 como restritos a psicólogos.

Temos guias do NEUPSILIN-Inf e do Bender. Para memória verbal, que a Figura de Rey não avaliava, veja o RAVLT.

5. Para o psicopedagogo: o que cabe no seu trabalho

O psicopedagogo não aplica testes psicológicos — nem a Figura de Rey, nem os instrumentos da tabela acima. Isso não o deixa sem trabalho quando a queixa é “letra feia”, “não organiza a folha” ou “não copia do quadro”:

  1. Descrever o que observa. Como a criança copia do quadro ou do livro, como distribui o registro na folha, se se perde no caderno. Descreva com exemplos do material escolar, sem transformar a observação em escore nem em nome de teste.
  2. Ler o laudo e traduzir para o plano. O que o laudo diz sobre construção visuoespacial e memória visual orienta as adaptações na cópia do quadro e na organização da folha.
  3. Trabalhar a memória nas atividades. O Pacote Memória de Trabalho da Biblioteca do iPsy traz 30 atividades de memória de trabalho visual, auditiva e operacional, para baixar com conta gratuita. É material de intervenção, não de avaliação.
  4. Encaminhar. Quando a hipótese envolve construção visuoespacial ou memória visual, ao psicólogo. Se a dificuldade parece motora, registre isso no encaminhamento.

Veja também o guia sobre TDAH.

Fontes

Dúvidas comuns sobre a Figura Complexa de Rey

A Figura de Rey ainda pode ser usada no Brasil?
Não como teste psicológico. Na consulta ao SATEPSI de 25/09/2026, as duas edições brasileiras das Figuras Complexas de Rey constam como desfavoráveis: a de Rigoni e Oliveira (CasaPsi), aprovada em 19/03/2010 e hoje com prazo vencido, e a de Rey e Oliveira, desfavorável desde 18/10/2003. Teste com parecer desfavorável não pode ser usado pelo psicólogo como teste psicológico.
O que usar no lugar da Figura de Rey?
Não há um substituto único. Na lista de favoráveis do SATEPSI (25/09/2026) estão o NEUPSILIN-Inf (6 a 12 anos), que inclui cópia de figuras e memória de figuras; o Bender B-SPG-rev (6 a 10 anos), de cópia de figuras; o BVRT de Benton (7 a 30 e 60 a 75 anos), que avalia memória visual, percepção visual e praxia visuoconstrutiva segundo a Vetor; e o TEPIC-M-2 (15 a 92 anos), de memória visual. São testes psicológicos: a escolha é do psicólogo.
Recebi um laudo com a Figura de Rey. Ele perdeu o valor?
Leia com cuidado, sem descartar nem tratar como atual. Confira a data e a edição usadas. A pontuação comparada a normas é a parte que perdeu respaldo; a descrição do comportamento na tarefa é observação do profissional, útil como pista. Se uma decisão importante depende do resultado, peça reavaliação com instrumento de parecer favorável. No seu relatório, cite o laudo sem copiar a pontuação.
Qual a diferença entre Figura de Rey-Osterrieth e Figura de Taylor?
A de Rey-Osterrieth é a figura clássica. A Figura de Taylor é uma versão alternativa, criada para servir de forma paralela quando é preciso reaplicar, reduzindo o efeito de aprendizagem da figura original. Não confunda com a Figura B da edição brasileira, destinada a crianças de 4 a 8 anos. Nenhuma delas aparece na lista de testes favoráveis do SATEPSI.
O psicopedagogo pode aplicar a Figura de Rey?
Não. Segundo a Hogrefe, a edição brasileira era material restrito a psicólogos, e hoje nem o psicólogo pode usá-la como teste psicológico. Os instrumentos favoráveis que avaliam os mesmos construtos também são de uso do psicólogo. O papel do psicopedagogo é ler o laudo, descrever o que observa nas tarefas escolares e encaminhar quando a hipótese pede.