PROTEA-R: Protocolo TEA Revisado [2026] | iPsy

O PROTEA-R é um dos poucos instrumentos brasileiros desenvolvidos especificamente para avaliação de crianças com suspeita de TEA — e isso o torna estratégico em qualquer avaliação multidisciplinar feita no Brasil. Construído na UFRGS por Cleonice Bosa e colaboradores, o protocolo combina três frentes que raramente aparecem juntas no mesmo instrumento: observação direta da criança, entrevista estruturada com os pais e triagem clínica em consultório. Para o psicopedagogo que recebe laudos diagnósticos de TEA, conhecer a lógica do PROTEA-R é o que permite ler o documento em profundidade.

Este guia explica o que é o PROTEA-R, como o protocolo foi desenvolvido na UFRGS, quais são suas três versões (PROTEA-R, PROTEA-R-PI e PROTEA-R-T), o que cada uma avalia, como é aplicado pelo psicólogo e como o psicopedagogo deve ler e usar os achados na avaliação psicopedagógica complementar.

O que é o PROTEA-R

PROTEA-R é a sigla de Protocolo de Avaliação para Crianças com Suspeita de Transtorno do Espectro do Autismo — Revisado. Foi desenvolvido pelo Núcleo de Estudos em Cognição e Desenvolvimento (NEPCOD) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), sob coordenação da pesquisadora Cleonice Alves Bosa, e tem versões e estudos psicométricos publicados desde a primeira década dos anos 2000, com a versão Revisada consolidada nos anos seguintes.

O propósito do PROTEA-R é organizar a avaliação clínica do TEA infantil em um protocolo padronizado, em português brasileiro, considerando características culturais, desenvolvimentais e sociais brasileiras. Diferente de instrumentos como ADOS-2 ou ADI-R (importados, com licenciamento internacional), o PROTEA-R foi pensado de origem para a realidade nacional — incluindo perguntas, contextos e exemplos familiares à família brasileira.

O protocolo articula três fontes de informação convergentes: observação clínica da criança em situação estruturada, entrevista detalhada com os pais sobre desenvolvimento e comportamento, e dados anamnésicos. Essa triangulação é o que dá robustez ao processo diagnóstico — especialmente em casos onde os sinais de TEA são sutis ou flutuantes.

Faixa etária

O PROTEA-R é indicado para crianças a partir dos 2 anos de idade, com foco especial na faixa de 2 a 12 anos. Em crianças menores, é mais comum o uso de instrumentos de rastreio como o M-CHAT; em adolescentes, são usados outros protocolos com adaptações etárias específicas. O PROTEA-R cobre, portanto, a janela mais sensível para diagnóstico de TEA em idade pré-escolar e escolar.

As três versões do PROTEA-R

O protocolo se desdobra em três instrumentos complementares, cada um com função distinta no processo de avaliação:

VersãoFinalidadeQuem responde
PROTEA-RAvaliação clínica completa por observação diretaAplicado pelo psicólogo, observando a criança
PROTEA-R-PIEntrevista estruturada com pais e cuidadoresPais respondem ao psicólogo
PROTEA-R-TTriagem rápida em contexto clínicoAplicado pelo psicólogo em consulta inicial

O PROTEA-R completo avalia a criança em situação estruturada com tarefas planejadas para evidenciar (ou descartar) características nucleares do TEA: padrões de interação social, comunicação verbal e não-verbal, comportamentos repetitivos e estereotipados, interesses restritos, alterações sensoriais.

O PROTEA-R-PI é um inventário/entrevista para os pais, com perguntas detalhadas sobre o desenvolvimento da criança em diferentes faixas etárias — primeiros sinais, marcos atingidos, regressões, peculiaridades de comportamento. Funciona como complemento essencial à observação direta, porque captura informações que só a família pode trazer.

O PROTEA-R-T é uma triagem clínica mais breve, usada na primeira consulta ou em contextos de avaliação rápida — funciona como filtro inicial: indica se vale ou não aprofundar com a versão completa.

Quem pode aplicar o PROTEA-R

O PROTEA-R está cadastrado no SATEPSI (Sistema de Avaliação de Testes Psicológicos do CFP) — o que significa que é instrumento privativo do psicólogo. Apenas psicólogos com formação adequada estão habilitados a aplicar, corrigir e emitir parecer formal a partir do protocolo. A aplicação por outros profissionais constitui exercício ilegal da profissão.

O psicopedagogo não aplica o PROTEA-R. Mas frequentemente recebe laudos psicológicos baseados em PROTEA-R, especialmente em casos de crianças com diagnóstico ou suspeita de autismo. Saber identificar no laudo qual versão foi aplicada, que áreas a avaliação contemplou e como integrar essas informações ao plano psicopedagógico é parte do trabalho clínico.

Atenção: só o psicólogo pode aplicar o PROTEA-R. Atividades pedagógicas com base em observação de comportamento social ou jogo simbólico são bem-vindas na intervenção psicopedagógica — mas não constituem aplicação do instrumento. Confundir as duas coisas pode caracterizar exercício ilegal da profissão de psicólogo.

Como o PROTEA-R é aplicado

Material necessário

  • Manual do PROTEA-R (publicado em formato acadêmico/clínico, distribuído via universidades parceiras e treinamento formal).
  • Protocolos de registro das três versões (R, R-PI e R-T).
  • Materiais para tarefas estruturadas: brinquedos pré-definidos no protocolo (bonecos, blocos, livros), figuras, objetos sensoriais.
  • Sala de avaliação com espaço para observar interação com a criança e setting de entrevista com os pais.
  • Filmadora ou gravador (opcional, recomendado para análise posterior e supervisão).

Setting e procedimento

  1. Triagem inicial. Aplicar o PROTEA-R-T na primeira consulta — define se há indicação de aprofundar com o protocolo completo ou se outras hipóteses são mais prováveis.
  2. Entrevista com os pais. Aplicar o PROTEA-R-PI em uma sessão exclusiva com os pais, sem a criança presente, para obter relato detalhado de desenvolvimento e comportamento.
  3. Sessão de observação direta. Conduzir a aplicação do PROTEA-R completo em uma ou duas sessões com a criança, em situação semi-estruturada.
  4. Tarefas estruturadas. Apresentar à criança as situações pré-definidas no protocolo — interação social provocada, brincadeira simbólica, atenção compartilhada, resposta a chamado.
  5. Registro contínuo. Anotar respostas verbais, comportamentos não-verbais, padrões repetitivos, alterações sensoriais durante toda a sessão — não só nos momentos das tarefas.
  6. Articulação dos dados. Cruzar achados das três fontes (observação, entrevista parental, triagem) para chegar à hipótese diagnóstica fundamentada.
  7. Devolutiva e elaboração de laudo. Comunicar resultados à família, emitir laudo psicológico formal indicando se há (ou não) compatibilidade com TEA, em qual nível de suporte (DSM-5).

Como interpretar os resultados

O PROTEA-R não gera um único escore numérico — gera um perfil clínico estruturado que sustenta a hipótese diagnóstica. As áreas centrais avaliadas, e o que cada classificação significa, são:

Área avaliadaO que indica desempenho compatível com TEA
Interação socialPouco contato visual, dificuldade em compartilhar atenção, baixo interesse em pares
ComunicaçãoAtraso ou ausência de fala funcional, ecolalia, prosódia atípica
Brincadeira simbólicaBrincar restrito, repetitivo, não-funcional, com objetos atípicos
Comportamentos restritos/repetitivosMovimentos estereotipados, rituais, resistência a mudanças
Reatividade sensorialHipersensibilidade ou hipossensibilidade a estímulos auditivos, táteis, visuais

Análise por padrão clínico

Cinco perfis emergem com frequência na prática clínica e levam a diferentes encaminhamentos:

  • Perfil clássico de TEA com prejuízo intenso: alterações marcadas em todas as áreas — interação, comunicação e comportamento. DSM-5 nível 3 (suporte muito substancial). Encaminhamento imediato para terapia intensiva ABA + suporte escolar especializado.
  • Perfil de TEA com nível moderado: alterações claras em interação e comportamento, comunicação parcialmente preservada. Nível 2 (suporte substancial). Plano combinado de intervenção terapêutica e escolarização inclusiva com mediador.
  • Perfil de TEA leve / antigo Asperger: interação prejudicada mas comunicação verbal preservada, interesses restritos marcantes. Nível 1 (necessita de suporte). Frequentemente combina-se com ansiedade e sobrecarga sensorial em sala de aula.
  • Perfil indeterminado / quadro misto: sinais sugestivos mas não conclusivos — possível TDAH com prejuízo social, transtorno de linguagem ou outro. Indica reavaliação em 6 a 12 meses ou complementação com outros instrumentos como CARS ou Vineland.
  • Perfil sem indicadores significativos: dados não compatíveis com TEA. Investigar outras hipóteses — ansiedade, dificuldades emocionais, transtornos de linguagem isolados, deficiência intelectual sem TEA.

Para articular os achados do laudo PROTEA-R com testes psicopedagógicos complementares, use o Seletor de Testes iPsy.

Quando usar o PROTEA-R na avaliação psicopedagógica

1. Como referência ao receber laudo diagnóstico de TEA. Quando uma criança chega ao psicopedagogo com diagnóstico de autismo, o PROTEA-R é um dos instrumentos que pode ter fundamentado o laudo. Identificar isso no documento ajuda a entender que áreas foram especialmente investigadas — e quais ainda merecem atenção.

2. Para mapear áreas a complementar com avaliação psicopedagógica. O PROTEA-R foca na investigação clínica do TEA — não avalia leitura, escrita, matemática ou aspectos pedagógicos específicos. O psicopedagogo entra justamente nesse complemento, com instrumentos próprios. Para selecionar os complementares ideais, use o Seletor de Testes iPsy.

3. Em casos de TEA com indicação escolar formal. Quando há laudo PROTEA-R, a escola precisa ser informada para fazer adaptações curriculares e escolha de mediador. O psicopedagogo costuma ser quem traduz o laudo psicológico para a linguagem pedagógica.

4. Em devolutivas familiares interdisciplinares. Quando família, escola e equipe terapêutica se reúnem para discutir o caso, o psicopedagogo precisa articular dados do laudo com a observação pedagógica. Modelos de relatório que integram dados de múltiplos profissionais estão no Kit de Documentos iPsy.

Limitações importantes do PROTEA-R

  • Disponibilidade limitada de profissionais treinados. Apesar de ser brasileiro, o PROTEA-R exige treinamento específico — disponível principalmente em centros universitários e cursos avançados de avaliação psicológica. Em muitas regiões do país, profissionais habilitados são escassos.
  • Tempo de aplicação significativo. A aplicação completa (R + R-PI + R-T) demanda várias sessões e tempo extenso de análise — pouco compatível com contextos de avaliação rápida ou serviços com fila longa.
  • Não substitui avaliação multidisciplinar. Mesmo aplicado integralmente, o PROTEA-R isolado não fecha diagnóstico de TEA. O DSM-5 exige avaliação que integre psicologia, neurologia, fonoaudiologia e, idealmente, observação em ambiente natural.
  • Forte dependência da experiência clínica do aplicador. Como qualquer instrumento de observação clínica, a sensibilidade do PROTEA-R depende da capacidade do psicólogo de captar comportamentos sutis e diferenciá-los de variações típicas do desenvolvimento.
  • Pouca cobertura de adolescentes e adultos. O foco do protocolo é em crianças até 12 anos. Para diagnóstico tardio em adolescentes e adultos, outros instrumentos são mais indicados (RAADS-R, AQ, ADOS-2 versão adulta).

Perguntas frequentes sobre o PROTEA-R

O psicopedagogo pode aplicar o PROTEA-R?

Não. O PROTEA-R está cadastrado no SATEPSI e é privativo do psicólogo. O psicopedagogo recebe laudos baseados no PROTEA-R e usa os dados para planejar intervenção pedagógica — mas não aplica nem corrige o instrumento. Aplicar sem ser psicólogo configura exercício ilegal da profissão de psicólogo.

O PROTEA-R fecha diagnóstico de autismo isoladamente?

Não. O PROTEA-R é um instrumento robusto, mas o diagnóstico de TEA conforme o DSM-5 exige avaliação multidisciplinar, observação em múltiplos contextos e exclusão de diagnósticos diferenciais. O resultado do PROTEA-R sustenta a hipótese diagnóstica — não a fecha sozinho. É o conjunto da avaliação clínica que determina o diagnóstico.

Qual a diferença entre PROTEA-R, M-CHAT e CARS?

O M-CHAT é um instrumento de rastreio (triagem) usado em pediatria, geralmente entre 16 e 30 meses. A CARS é uma escala de classificação de severidade. O PROTEA-R é um protocolo de avaliação clínica completa, brasileiro, com três versões integradas — usado quando já há suspeita e quer-se aprofundar a investigação. M-CHAT triagem, CARS classifica, PROTEA-R aprofunda.

Quanto tempo leva a aplicação completa do PROTEA-R?

A aplicação completa (versão R + entrevista PI + triagem T) costuma levar entre 4 e 6 horas, distribuídas em pelo menos 3 sessões: triagem inicial, entrevista com os pais e observação da criança. A análise e elaboração do laudo demandam mais algumas horas do profissional fora dos atendimentos.

O PROTEA-R precisa ser aplicado em todos os casos de suspeita de TEA?

Não. Em casos de suspeita inicial, instrumentos de rastreio como M-CHAT são suficientes para indicar se há ou não risco. O PROTEA-R entra quando há indicação clara de aprofundamento — geralmente após triagem positiva ou quando o pediatra/psicólogo identifica sinais consistentes. É um protocolo robusto, pensado para investigação aprofundada, não para uso em todas as primeiras consultas.

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