- O que é
- Uma avaliação informal, feita com o ditado de palavras e de uma frase, que mostra qual hipótese a criança tem sobre a escrita: pré-silábica, silábica, silábico-alfabética ou alfabética.
- Para que idade
- Do fim da educação infantil ao ciclo de alfabetização, e em qualquer idade quando a criança ou o adolescente ainda não escreve alfabeticamente.
- Quem pode aplicar
- Professoras alfabetizadoras, pedagogas, psicopedagogas e fonoaudiólogas. Não é teste psicológico nem teste padronizado.
- Onde conseguir
- O protocolo Sondagem de Escrita - Hipóteses de Ferreiro está na Biblioteca do iPsy, para baixar com conta gratuita.
Sondagem de escrita é o instrumento que mais revela sobre o processo de alfabetização de uma criança — e, paradoxalmente, é o que muitos psicopedagogos ainda não sabem aplicar com segurança. Não é um teste padronizado. Não tem caderno de aplicação nem manual de correção. É uma observação dirigida da escrita espontânea da criança, interpretada à luz da psicogênese da língua escrita de Emília Ferreiro e Ana Teberosky.
Este guia explica o que é a sondagem de escrita, os 4 níveis usados na prática a partir da pesquisa de Ferreiro e Teberosky, com exemplo de escrita em cada um, como escolher as palavras e aplicar passo a passo, sugestões de lista por ano, como classificar e registrar os resultados e como usar essa informação na avaliação psicopedagógica.
1. O que é a sondagem de escrita
A sondagem de escrita é um procedimento de avaliação informal usado para identificar em que nível de hipótese de escrita a criança se encontra. Diferente de testes padronizados que medem desempenho contra uma norma, a sondagem investiga como a criança pensa sobre o sistema de escrita — não apenas se ela acerta ou erra.
O conceito vem da pesquisa conhecida no Brasil como Psicogênese da Língua Escrita, publicada em 1979 por Emilia Ferreiro e Ana Teberosky com o título Los sistemas de escritura en el desarrollo del niño, a partir de estudos feitos em Buenos Aires com crianças de 4 a 6 anos. A pesquisa descreveu como crianças que ainda não foram formalmente alfabetizadas constroem hipóteses sobre como a escrita funciona, e essas hipóteses seguem uma sequência previsível de complexidade crescente.
Para o psicopedagogo, isso muda tudo. Antes de Ferreiro, “criança que escreve TLBA quando tenta escrever borboleta” era considerada criança com erro grave. Depois de Ferreiro, sabemos que essa criança pode estar exatamente no nível esperado para o momento dela — escrevendo silabicamente.
A sondagem é, portanto, uma ferramenta de avaliação pedagógica essencial. Sem ela, é difícil planejar uma intervenção que respeite o ponto de partida real do aluno. Por isso a orientação da rede municipal de São Paulo é que a sondagem não seja corrigida, e sim analisada.
2. Os 4 níveis de escrita segundo Ferreiro e Teberosky

- 1Pré-silábico: letras sem relação com a fala
- 2Silábico: uma letra para cada sílaba
- 3Silábico-alfabético: ora a sílaba, ora o som
- 4Alfabético: uma letra para cada som
No livro de 1979, Ferreiro e Teberosky descrevem cinco níveis sucessivos de escrita, a partir das crianças de 4 a 6 anos que entrevistaram, e os propõem como provisórios, sujeitos a revisão. Nos dois primeiros níveis a escrita ainda não se relaciona com os sons da fala; a hipótese silábica só aparece no terceiro. A divisão em quatro níveis usada nas escolas e em pesquisas brasileiras — pré-silábico, silábico, silábico-alfabético e alfabético — reúne esses dois primeiros níveis do livro sob o nome de pré-silábico. Cada nível representa uma teoria que a criança constrói sobre como a escrita funciona. "Nível de escrita" e "hipótese de escrita" são dois nomes para a mesma coisa.
1. Nível Pré-silábico
A criança ainda não estabeleceu relação entre a escrita e a fala. Ela sabe que a escrita serve para registrar algo, mas escreve usando símbolos que considera “letras” sem correspondência sonora.
Características típicas: usa letras, números ou pseudoletras de forma aleatória; usa quantidade fixa de caracteres independente do tamanho da palavra (escreve “AEIO” tanto para “boi” quanto para “elefante”); ou usa realismo nominal — escreve palavras grandes para objetos grandes e palavras pequenas para objetos pequenos (escreve mais letras para “elefante” que para “formiga”).
Ferreiro passou a preferir o nome pré-fonetizante para este nível; a característica descrita é a mesma. Por isso as duas palavras aparecem em documentos de redes de ensino.
2. Nível Silábico
A criança descobre que a escrita representa a fala — e elabora a hipótese de que cada letra representa uma sílaba. Esse é um dos saltos cognitivos mais importantes do processo de alfabetização.
Existem dois subtipos:
- Silábico sem valor sonoro: usa uma letra para cada sílaba, mas qualquer letra serve. Para “borboleta” pode escrever “TXMA” — quatro letras para as quatro sílabas (bor-bo-le-ta), mas sem relação fonética.
- Silábico com valor sonoro: usa uma letra que tem relação com o som da sílaba. Para “borboleta” escreve “BOLA” — cada letra representa uma sílaba, e cada uma tem valor sonoro identificável. Às vezes a criança usa só vogais, às vezes só consoantes, às vezes as duas.
O nível silábico com valor sonoro é especialmente importante porque mostra que a criança está integrando consciência fonológica com conhecimento alfabético. Nos registros das redes, os dois subtipos aparecem com siglas: SSVC (silábica sem valor sonoro convencional) e SCVC (silábica com valor sonoro convencional).
3. Nível Silábico-Alfabético
A criança percebe que a hipótese silábica não dá conta — falta letra. Começa a oscilar entre escrever silabicamente e alfabeticamente na mesma palavra.
Para “borboleta” pode escrever “BOBLETA” ou “BORBOLTA”. Algumas sílabas têm representação completa (BOR, BO, TA), outras ainda silábicas (L para LE). É um nível de transição, frequentemente curto, mas marcado por intensa reorganização cognitiva.
4. Nível Alfabético
A criança compreende que cada letra representa um fonema e que a sílaba é composta por unidades menores. Escreve foneticamente — ainda com erros ortográficos, mas com correspondência completa entre letras e sons.
Para “borboleta” escreve “BORBOLETA” (convencional) ou “BURBOLETA” (com erro ortográfico, mas dentro do nível alfabético). Importante: chegar ao nível alfabético não significa estar alfabetizado por completo. Significa que a criança domina a base do sistema; agora precisa dominar sílabas mais complexas (como em “prato” e “porta”) e a ortografia, que é uma camada adicional.
Você vai encontrar a expressão "alfabético ortográfico" em alguns materiais, para a escrita alfabética que já segue as convenções da ortografia. Ela não faz parte dos níveis descritos por Ferreiro e Teberosky: a ortografia é um desafio que continua dentro do nível alfabético.
3. Exemplos de escrita em cada nível
A tabela mostra como três palavras de um mesmo ditado poderiam aparecer em cada nível. São exemplos ilustrativos, criados para este guia: as crianças produzem muitas outras formas, e o que decide a classificação é o conjunto das escritas e, sobretudo, a leitura que a criança faz delas.
| Nível | dinossauro (4 sílabas) | tucano (3 sílabas) | sapo (2 sílabas) |
|---|---|---|---|
| Pré-silábico | ATMIRO | ITARMO | MIRATO |
| Silábico sem valor sonoro | RBEM | MOE | TA |
| Silábico com valor sonoro | IOAO ou DNSR | UAO ou TCN | AO ou SP |
| Silábico-alfabético | DINOSAO | TUCNO | SAO |
| Alfabético | DINOSAURO | TUCANO | SAPO |
No pré-silábico do exemplo, a criança usa sempre as mesmas seis letras, mudando só a ordem — a quantidade não acompanha o tamanho da palavra. No alfabético, “DINOSAURO”, com um S só, é escrita alfabética com erro ortográfico: a criança já representa todos os sons. E, no silábico com valor sonoro, quem escreve “IOAO” para dinossauro lê apontando uma letra para cada sílaba: di-nos-sau-ro.
O protocolo Sondagem de Escrita - Hipóteses de Ferreiro traz exemplos de produção em cada hipótese, prontos para comparar com as escritas da sua criança.
4. Como aplicar a sondagem de escrita

- 1Uma criança de cada vez, em ambiente tranquilo
- 2Folha sem pauta, lápis e borracha
- 3Dite em velocidade natural, sem separar as sílabas
- 4Peça que a criança leia o que escreveu, apontando com o dedo
A sondagem é simples na execução, mas exige atenção a detalhes que podem comprometer a interpretação.
Material necessário
- Folha em branco, sem pauta — para ver como a criança se organiza no espaço
- Lápis de escrever (não use canetinha — borrões dificultam análise)
- Borracha (deixe disponível, mas não estimule o uso)
- Lista pré-definida de palavras a ditar
Como escolher as palavras
Para que a sondagem revele o nível real, a lista de palavras precisa seguir critérios específicos:
- 4 palavras de um mesmo campo semântico (ex: animais, frutas, material escolar), que façam parte do dia a dia da criança.
- Quantidade decrescente de sílabas: uma polissílaba (4+ sílabas), uma trissílaba (3 sílabas), uma dissílaba (2 sílabas), uma monossílaba (1 sílaba). Começar pela maior evita um conflito conhecido: algumas crianças acham que uma palavra precisa de um número mínimo de letras e travam diante de uma monossílaba logo no início.
- Sem a mesma vogal em sílabas vizinhas. Numa palavra como “cavalo” ou “borboleta”, a criança silábica que escreve com vogais chegaria a “AAO” ou “OOEA”, e muitas não aceitam duas letras iguais em sequência — mudam a escrita por esse motivo e a análise fica prejudicada. A orientação da rede municipal de São Paulo cita girafa, sabonete e hipopótamo como exemplos a evitar.
- Encerrar com uma frase que contenha uma das palavras ditadas, para ver se a escrita daquela palavra se mantém.
Exemplo de lista com tema “animais”, dentro desses critérios:
- 1Dinossauro (polissílaba)
- 2Tucano (trissílaba)
- 3Sapo (dissílaba)
- 4Boi (monossílaba)
- 5Frase: “O sapo pulou na lagoa”
A frase final é fundamental. Permite observar se a criança segmenta as palavras (separa “sapo” de “pulou”) ou escreve tudo junto — outro indicador importante do nível.
Procedimento passo a passo
- 1Setting: ambiente tranquilo, sem distrações, criança sentada confortavelmente. Na escola, uma criança de cada vez, com a turma ocupada em atividade que consiga fazer sozinha.
- 2Acolhimento: “Vamos brincar de escrever algumas palavras. Pode escrever do seu jeito, do jeito que você acha que é.”
- 3Peça o nome primeiro. A criança escreve o próprio nome no alto da folha. Observe se escreve de memória ou procura um apoio.
- 4Dite a primeira palavra (a maior). Repita se ela pedir, sempre em velocidade natural, sem separar as sílabas na fala.
- 5Aguarde a criança escrever Não corrija, não dê pistas, não comente.
- 6Peça para a criança ler o que escreveu , apontando com o dedo. Esse momento é crucial — a leitura revela a intenção da criança.
- 7Anote a leitura realizada. Se a criança escreveu “TLBA” e leu “BOR-BO-LE-TA” apontando uma letra para cada sílaba, é silábico sem valor sonoro. Faça as marcações longe dos olhos dela.
- 8Repita com cada palavra da lista, em ordem. Se ficar em dúvida sobre como ela está pensando, dite mais uma ou duas palavras do mesmo tema.
- 9Encerre com a frase , observando se a criança separa as palavras na escrita.
Para crianças com deficiência ou que usam comunicação alternativa, a sondagem usa os recursos do dia a dia dela: letras móveis, teclado ou tablet, pranchas de comunicação, apoio visual para a instrução. O objetivo é ver o que ela pensa sobre a escrita, não se consegue segurar o lápis.
5. Palavras para sondagem de escrita do 1º ao 5º ano
Não existe lista oficial única: cada rede escolhe as suas. As listas abaixo são sugestões da iPsy, montadas com os critérios acima. O que muda de um ano para o outro é o objetivo da sondagem.
| Ano | O que a sondagem busca | Sugestão de lista e frase |
|---|---|---|
| Fim da educação infantil e 1º ano | A hipótese de escrita. Na rede municipal de São Paulo, no 1º ano, a criança silábico-alfabética ou alfabética passa para a escrita de um texto de memória, como uma parlenda. | pirulito, pipoca, suco, pão — “A pipoca está quente.” |
| 2º e 3º anos | Para quem ainda não é alfabético, a mesma sondagem de hipótese. Na rede de São Paulo, quem já é alfabético faz produção de texto; um ditado com sílabas complexas mostra o que falta consolidar. | brigadeiro, salsicha, pastel, pão — “O brigadeiro caiu no prato.” |
| 4º e 5º anos | Para o aluno alfabético, o foco passa a ser ortografia e produção de texto. A sondagem de hipótese fica para quem ainda não escreve alfabeticamente. | Ditado com regularidades ortográficas e um texto curto; se houver queixa de alfabetização, uma lista como a do 1º ano, com tema adequado à idade. |
No 4º e no 5º ano, a criança que ainda escreve silabicamente precisa de atenção: é o caso em que a sondagem entra na avaliação psicopedagógica (seção 7). Para o trabalho de ortografia com quem já é alfabético, o Pacote Escrita - Ortografia e Produção Textual reúne atividades prontas.
6. Como classificar e registrar os resultados

- 1Classifique cada criança pela maioria das produções
- 2Marque o nível no mapa da turma
- 3Guarde a folha original de cada sondagem
- 4Compare as sondagens ao longo do ano
Após a aplicação, você analisa cada palavra escrita e a leitura feita. A classificação não é estatística — é interpretativa, baseada na maioria das produções.
Se das 4 palavras a criança escreveu 3 silabicamente com valor sonoro e 1 silabicamente sem valor sonoro, classifica-se como silábico com valor sonoro. Se houve oscilação clara entre silábico e alfabético, classifica-se como silábico-alfabético. Na dúvida, não "arredonde" para cima nem para baixo: classificar num nível que não é o real leva a um planejamento que não serve à criança.
O Classificador de Escrita gratuito da iPsy ajuda nessa análise — você responde sobre as produções da criança e a ferramenta sugere a classificação com base nos critérios de Ferreiro e Teberosky.
Como anotar a leitura da criança
- Leitura global: ela passa o dedo pela palavra inteira sem parar em nenhuma letra. Marque um traço contínuo sob a escrita.
- Uma letra por sílaba: ela aponta uma letra para cada sílaba que fala. Anote a sílaba lida embaixo de cada letra (tu | ca | no).
- Várias letras por sílaba: ela junta duas ou mais letras para cada parte falada. Marque o agrupamento.
Para o registro no relatório psicopedagógico, recomenda-se documentar:
- Data da sondagem e lista exata das palavras ditadas
- Transcrição literal do que a criança escreveu
- Leitura realizada (com indicação se houve apontamento)
- O que ela disse em voz alta, e se apagou ou acrescentou letras
- Nível classificado e justificativa
- Observações comportamentais (resistência, demora, segurança)
Guarde a folha original: comparar sondagens ao longo do ano é o que mostra a evolução. E o nível é informação para quem planeja, não um rótulo — não se diz à criança "você é silábica".
O Kit de Documentos iPsy inclui um modelo de registro de avaliação de escrita.
7. Quando usar a sondagem na avaliação psicopedagógica
A sondagem de escrita deve fazer parte de toda avaliação psicopedagógica que envolva queixa de dificuldade de aprendizagem na alfabetização. Mesmo em crianças mais velhas (8, 9, 10 anos) que ainda não dominam a leitura e escrita, a sondagem revela em que nível elas estagnaram — informação essencial para planejar intervenção.
É um instrumento complementar a outros testes. Não substitui o PROLEC (avaliação de processos de leitura) nem o TDE-II (desempenho escolar normatizado), mas oferece informação que esses não capturam: a hipótese conceitual que a criança tem sobre o sistema de escrita. A sondagem de leitura completa o quadro do lado da leitura.
O protocolo Sondagem de Escrita - Hipóteses de Ferreiro, na Biblioteca do iPsy, traz o ditado, a análise por nível e exemplos de produção em cada hipótese; para a etapa seguinte, o Pacote Escrita - Ortografia e Produção Textual reúne 30 atividades de ortografia e produção textual — os dois para baixar com conta gratuita.
Para a criança que está no silábico com valor sonoro e precisa avançar na análise dos sons, o Pacote Consciência Fonológica tem atividades por nível, da rima à segmentação fonêmica.
Para uma bateria completa de avaliação, use o Seletor de Testes iPsy para identificar os instrumentos por faixa etária e área avaliada. O Combo de Testes iPsy reúne os instrumentos em um só pacote.
Para crianças com queixa de dislexia, a sondagem ajuda a diferenciar dificuldades fonológicas (que afetam o nível silábico-alfabético e alfabético) de atrasos por falta de estimulação prévia. Veja mais no guia completo sobre dislexia.
Para crianças com queixa de discalculia, a sondagem complementa a avaliação porque dificuldades simbólicas tendem a aparecer em ambas as áreas — números e letras. Veja o guia completo sobre discalculia.
8. Limites da sondagem de escrita
A sondagem descreve uma hipótese num momento — e hipóteses de escrita são transitórias. Uma única sondagem não sustenta conclusão sobre o percurso da criança; a comparação ao longo do tempo, sim.
A teoria também tem críticas. Um artigo de 2017 nos Cadernos de Pesquisa reanalisa os dados da psicogênese e afirma que a hipótese silábica "não resistiu a análises estatísticas mais detalhadas"; para os autores, a escrita inicial depende da consciência fonológica e do conhecimento do alfabeto. Na prática, isso reforça dois cuidados: olhar o conhecimento das letras junto com a hipótese e não tratar a sequência de níveis como uma escada obrigatória.
E a sondagem não diagnostica nada. Ela mostra como a criança pensa a escrita; um nível abaixo do esperado pode ter muitas causas, e a avaliação é que vai investigar quais.
Fontes
- Documento Orientador de Sondagens no Ciclo de Alfabetização — Língua Portuguesa e Matemática, edição revisada (Secretaria Municipal de Educação de São Paulo, 2026)
- Andrade, Andrade e Prado (2017). Psicogênese da língua escrita: uma análise necessária. Cadernos de Pesquisa, v. 47, n. 166 (SciELO)
- Monteiro e Martins (2020). Relação entre níveis conceituais de escrita e estratégias de reconhecimento de palavras. Educação em Revista, v. 36, e227793 (SciELO) — usa a classificação em quatro níveis
- Ferreiro e Teberosky (1979). Los sistemas de escritura en el desarrollo del niño. Siglo XXI — cap. VI, "Evolución de la escritura" (cinco níveis)