- O que é
- Teste de inteligência não verbal, com figuras abstratas e resposta por gestos. No Brasil, a versão adaptada é o TONI-3 Forma A (Vetor), com normas de 6 a 10 anos.
- Situação no SATEPSI
- Desfavorável desde 31/12/2022, por estudos de normatização vencidos (consulta de 25/09/2026). Não pode ser usado como teste psicológico, nem por psicólogo.
- O que usar no lugar
- Testes não verbais favoráveis: Matrizes Coloridas de Raven (5 a 11 anos), SON-R 2½-7 (2 a 7), R-2 (5 a 12) e TNVRI (5 a 14). A escolha é do psicólogo.
- E o psicopedagogo
- Não aplica teste de inteligência. Lê o laudo, descreve o que observa nas tarefas pedagógicas e encaminha ao psicólogo quando a pergunta é sobre capacidade intelectual.
O TONI não vale mais como teste psicológico no Brasil. A versão adaptada aqui, o TONI-3, consta como desfavorável no SATEPSI desde 31/12/2022, por estudos de normatização vencidos (consulta de 25/09/2026). Se você chegou procurando o TONI, este guia explica o que era o teste, o que o parecer desfavorável significa, como ler um laudo antigo que o cita e quais instrumentos não verbais com parecer favorável ocupam o lugar dele.
1. O que era o TONI
O TONI (Test of Nonverbal Intelligence) foi desenvolvido nos Estados Unidos por Linda Brown, Rita J. Sherbenou e Susan K. Johnsen, com primeira edição em 1982. A edição atual da editora americana (PRO-ED) é o TONI-4, de 2010, com normas americanas dos 6 aos 89 anos. No Brasil, a versão adaptada e estudada é o TONI-3 Forma A, publicado pela Vetor Editora: segundo artigo de Santos, Noronha e Sisto (Psicologia: Teoria e Pesquisa, 2010), tem 45 itens e normas brasileiras para crianças de 6 a 10 anos.
O teste apresentava padrões visuais abstratos incompletos, e o examinando escolhia a alternativa que completava o padrão. O atrativo era a ausência de demanda de linguagem: segundo a PRO-ED, a resposta pode ser dada com gestos simples, como apontar. Por isso o TONI era lembrado para crianças surdas, crianças com TEA e pouca fala, crianças que não dominam o português e pessoas com transtornos de linguagem.
Essa necessidade continua real — o que mudou foi o instrumento disponível para atendê-la. Por isso este guia não ensina mais a aplicar nem a corrigir o TONI: aponta os testes com parecer favorável que respondem à mesma pergunta.
2. Situação no SATEPSI

- 1TONI-3 Forma A: desfavorável desde 31/12/2022
- 2Nenhum profissional pode usá-lo como medida de inteligência
- 3Alternativas favoráveis: Raven Colorido, SON-R 2½-7, R-2 e TNVRI
- 4A escolha é do psicólogo
Na consulta às listas oficiais do SATEPSI (Conselho Federal de Psicologia) em 25/09/2026, o registro é este:
| Instrumento | Autores e editora | Situação |
|---|---|---|
| Teste de inteligência não-verbal (TONI-3) | Acácia Santos, Ana Paula Noronha e Fermino Sisto; Vetor | Desfavorável desde 31/12/2022 — estudos de normatização vencidos |
Segundo o artigo de 2010, o TONI-3 Forma A havia recebido parecer favorável do CFP; esse parecer não vale mais. O TONI-4 americano não aparece na lista de testes favoráveis. O link da lista de desfavoráveis está nas Fontes, ao fim da página (o site do SATEPSI pede uma verificação anti-robô antes de mostrar a lista). As listas mudam a cada plenária do CFP: para fundamentar um documento, confira de novo.
3. O que isso significa na prática
Teste com parecer desfavorável não pode ser usado pelo psicólogo como teste psicológico — nem em avaliação nova, nem para fundamentar laudo. Não é uma questão de quem aplica: hoje nenhum profissional pode apresentar o TONI-3 como medida de inteligência válida.
Lendo um laudo antigo que cita o TONI
- 1Confira a data da aplicação. O registro do SATEPSI marca o parecer desfavorável a partir de 31/12/2022. Um laudo anterior a essa data foi feito quando o teste ainda não constava como desfavorável; um laudo posterior usou um instrumento que já não podia ser usado como teste psicológico — vale conversar com quem o assinou.
- 2Confira a versão e a norma. TONI-3 Forma A, com normas brasileiras de 6 a 10 anos, ou TONI-4, com normas americanas? Uma criança fora dessa faixa, ou avaliada por norma de outro país, torna o número ainda mais frágil.
- 3Trate o resultado como informação datada. Mesmo um laudo antigo e bem feito descreve a criança daquela época. Se uma decisão importante depende desse resultado (encaminhamento, adaptação curricular, hipótese de deficiência intelectual), peça reavaliação com instrumento de parecer favorável.
- 4Não reproduza o escore como dado atual. No seu relatório, cite o laudo — profissional, data e instrumento — sem copiar pontuação nem converter classificação por conta própria.
E, como antes, nenhum resultado isolado fecha diagnóstico: deficiência intelectual, por exemplo, exige avaliação multidisciplinar, com instrumentos complementares e avaliação do comportamento adaptativo.
4. O que usar no lugar: testes não verbais favoráveis
Na lista de testes psicológicos favoráveis do SATEPSI (consulta de 25/09/2026), estes instrumentos são registrados como não verbais e têm amostra de normatização infantil:
| Instrumento | Idade da amostra de normatização | Prazo dos estudos de validade |
|---|---|---|
| CPM — Matrizes Progressivas Coloridas de Raven | 5 a 11 anos | 19/05/2038 |
| SON-R 2½-7 | 2 a 7 anos | 25/02/2032 |
| R-2 — Teste não-verbal de inteligência para crianças | 5 a 12 anos | 23/09/2038 |
| TNVRI — Teste Não-Verbal de Raciocínio para Crianças | 5 a 14 anos | 06/12/2040 |
Para adolescentes e adultos, a mesma lista traz outros testes registrados como não verbais, como o R-1 (16 a 67 anos) e o G-36 e o G-38 (18 a 66 anos). Temos guia das Matrizes de Raven, com as versões e as idades de cada uma.
Todos são testes psicológicos, de uso do psicólogo. A escolha do instrumento, as instruções e as adaptações para uma criança surda ou com pouca fala seguem o manual de cada teste e cabem ao psicólogo. Quando a linguagem não é barreira e a pergunta pede um perfil cognitivo mais amplo, o WISC-IV (favorável no SATEPSI, amostra de 6 a 16 anos) avalia vários domínios cognitivos — veja o guia do WISC.
5. Para o psicopedagogo: o que cabe no seu trabalho

- 1Ler o laudo e conferir a data da aplicação
- 2Descrever o que observa nas tarefas pedagógicas
- 3Encaminhar ao psicólogo quando a pergunta é sobre capacidade intelectual
O psicopedagogo não aplica teste de inteligência — nem o TONI, nem os instrumentos da tabela acima. Isso não o deixa sem trabalho nesses casos:
- Ler o laudo e traduzir para o plano. O que o laudo diz sobre raciocínio e comunicação orienta o planejamento pedagógico — por exemplo, a escolha de apoios visuais e de comunicação alternativa.
- Descrever o que observa. Como a criança se comunica, se compreende uma tarefa demonstrada sem palavras, como resolve atividades visuais. Descreva o comportamento, sem transformá-lo em nível de inteligência.
- Usar os instrumentos da própria área. As provas operatórias investigam o nível operatório do pensamento, e a EOCA investiga a relação da criança com a aprendizagem. Nenhuma delas mede QI, e o relatório não deve apresentá-las assim.
- Encaminhar. Quando a pergunta é sobre capacidade intelectual, ao psicólogo; quando envolve linguagem ou audição, também à fonoaudiologia.
Em crianças com TEA e pouca fala, veja também o guia sobre autismo.