- O que é
- A BDEFS (Barkley Deficits in Executive Functioning Scale) é uma escala criada por Russell Barkley que descreve dificuldades executivas do adulto no dia a dia, em cinco domínios.
- Para que idade
- A edição brasileira da BDEFS, da Hogrefe, é para adultos; a editora indica de 18 a 70 anos. A versão original americana vai de 18 a 81 anos.
- Quem pode aplicar
- A BDEFS não consta nas listas de testes favoráveis nem de não privativos do SATEPSI (consulta de 25/09/2026). Como escala de autorrelato, serve à investigação, não fecha diagnóstico sozinha.
- Quanto tempo leva
- A versão curta da BDEFS, de 20 itens, leva poucos minutos; a versão longa, de 89 itens, cerca de 15 a 20 minutos.
A BDEFS é a escala de Russell Barkley para descrever como as funções executivas falham na vida real do adulto — no trabalho, nos estudos, no dinheiro, nas relações. Em vez de medir desempenho numa tarefa de laboratório, ela pergunta com que frequência a pessoa se atrasa, perde prazos, age por impulso ou desiste no meio do caminho.
Este guia explica a estrutura da BDEFS, quem responde, o que se sabe sobre o seu status no SATEPSI e como ler o resultado sem transformar uma escala em diagnóstico. Não reproduzimos itens, normas nem folhas de resposta: esse material é da editora.
1. O que é a BDEFS
A Barkley Deficits in Executive Functioning Scale foi publicada nos Estados Unidos em 2011 por Russell A. Barkley, um dos principais pesquisadores de TDAH. Ela parte do modelo de Barkley, em que as funções executivas são formas de autorregulação: a capacidade de dirigir o próprio comportamento para metas futuras, em vez de reagir só ao momento.
No Brasil, a escala foi adaptada por Victor P. Godoy, Paulo Mattos e Leandro F. Malloy-Diniz, com estudo de adaptação transcultural publicado em 2015, e o manual saiu pela Hogrefe em 2018 com o nome Escala de Avaliação de Disfunções Executivas de Barkley.
A diferença central em relação a testes como o FDT ou a Torre de Londres é a validade ecológica: a BDEFS não observa a pessoa resolvendo uma tarefa, e sim o funcionamento descrito no cotidiano. Os dois tipos de medida se complementam — e muitas vezes discordam, o que já é informação clínica.
2. Os cinco domínios da BDEFS

- 1Gerenciamento do tempo
- 2Organização e resolução de problemas
- 3Autocontrole
- 4Automotivação
- 5Regulação das emoções
A versão longa organiza os itens em cinco escalas, descritas no estudo brasileiro de adaptação:
| Domínio | Como aparece no dia a dia |
|---|---|
| Gerenciamento do tempo | Atrasos, procrastinação, prazos perdidos, dificuldade de estimar quanto uma tarefa vai durar. |
| Organização e resolução de problemas | Dificuldade de planejar, priorizar, pensar em alternativas e explicar ideias com clareza. |
| Autocontrole | Decisões por impulso, falar ou agir sem pensar, dificuldade de esperar. |
| Automotivação | Dificuldade de manter esforço sem recompensa imediata, tarefas abandonadas no meio. |
| Regulação das emoções | Reações intensas, irritação rápida e dificuldade de se acalmar. |
Além das cinco escalas, o manual descreve um escore total, uma contagem de sintomas executivos e um índice de risco de TDAH na versão longa. O próprio estudo de adaptação ressalta que esse índice sinaliza risco, não diagnostica.
3. Versões e quem responde

- 1Autorrelato: o próprio adulto responde
- 2Heterorrelato: alguém próximo responde sobre ele
- 3A comparação das duas visões é informação clínica
A BDEFS existe em duas extensões e dois informantes:
- Versão longa (89 itens): dá o perfil pelos cinco domínios e serve para acompanhar casos com dificuldades mais evidentes. Leva em torno de 15 a 20 minutos.
- Versão curta (20 itens): pensada para rastreio rápido, em poucos minutos.
- Autorrelato: o próprio adulto avalia com que frequência os comportamentos aconteceram nos últimos seis meses.
- Heterorrelato: cônjuge, familiar ou pessoa que convive com o avaliado responde sobre ele. Útil porque adultos com TDAH tendem a subestimar as próprias dificuldades.

- 1Versão curta: rastreio em poucos minutos
- 2Versão longa: perfil pelos cinco domínios
Nos Estados Unidos existe também uma versão para crianças e adolescentes (BDEFS-CA), respondida pelos pais. A edição da Hogrefe Brasil é a de adultos. Para crianças, as medidas de funções executivas por relato mais conhecidas são o BRIEF e escalas de TDAH como o SNAP-IV.
4. Quem pode aplicar a BDEFS
Na consulta de 25/09/2026, a BDEFS não aparece na lista de testes psicológicos favoráveis do SATEPSI nem na de instrumentos não privativos do psicólogo. A ausência nas listas não é o mesmo que um parecer: não diz que a escala é livre nem que é restrita.
Na prática, o que orienta o uso é:
- As condições da editora. A compra e as licenças seguem o que a Hogrefe estabelece na página do produto; confira antes de adquirir.
- A formação de quem interpreta. Responder é simples; interpretar exige conhecer funções executivas, TDAH e os limites de um autorrelato.
- O papel de cada profissional. Diagnóstico de TDAH no adulto é ato de médico ou de psicólogo em avaliação ampla. A BDEFS ajuda a descrever o funcionamento, não substitui essa avaliação.
Para o psicopedagogo que atende adolescentes mais velhos e adultos — em orientação de estudos, preparação para vestibular ou ensino superior —, a BDEFS costuma chegar pelo laudo do psicólogo ou do psiquiatra, e o trabalho dele começa onde a escala termina: transformar “gerenciamento do tempo rebaixado” em rotina de estudos possível.
5. Como interpretar os resultados
Os escores da BDEFS são comparados com a norma da edição brasileira, por domínio e no total. Na leitura do resultado, alguns cuidados fazem diferença:
- Olhe o perfil, não só o total. Um total alto pode vir de um domínio só. Tempo e organização rebaixados pedem estratégias diferentes de autocontrole e emoção rebaixados.
- Compare autorrelato e heterorrelato. Quando a pessoa próxima descreve muito mais dificuldades que o próprio avaliado, pode haver pouca percepção das próprias falhas — comum no TDAH.
- Considere o que mais explica os escores. Depressão, ansiedade, privação de sono e uso de substâncias também derrubam funções executivas no cotidiano.
- O índice de TDAH é de risco. Escore alto pede investigação, não fecha diagnóstico.
Na devolutiva, traduza cada domínio em exemplos concretos da vida da pessoa e em uma ou duas metas de intervenção. Para escrever a devolutiva, o guia de devolutiva psicopedagógica mostra a estrutura passo a passo.
6. Limitações da BDEFS
- É relato, não desempenho. Mede como a pessoa (ou alguém próximo) percebe o funcionamento, com os vieses de memória e de autoimagem que isso traz.
- Não diagnostica. Nem TDAH nem qualquer outro transtorno; o diagnóstico depende de avaliação clínica.
- Só adultos na edição brasileira. Para crianças e adolescentes, outras escalas têm de ser usadas.
- Estudos brasileiros ainda são poucos. O estudo de adaptação usou amostra de adultos fora de contexto clínico e pediu mais pesquisas sobre a utilidade clínica.
Para comparar com outras escalas de adultos, veja os guias da ETDAH-AD e da ASRS-18, e o guia completo sobre TDAH.
Fontes
- Godoy VP, Da Mata FG, Conde BR, Souza CAO, Martins ALG, Mattos P, Miranda DM, Malloy-Diniz LF. (2015). Brazilian Portuguese transcultural adaptation of Barkley Deficits in Executive Functioning Scale (BDEFS). Archives of Clinical Psychiatry, 42(6).
- Hogrefe Brasil. BDEFS — Escala de Avaliação de Disfunções Executivas de Barkley (página do produto).
- Conselho Federal de Psicologia. SATEPSI — Testes Psicológicos Favoráveis (consulta em 25/09/2026).
- Conselho Federal de Psicologia. SATEPSI — Instrumentos Não Privativos do Psicólogo (consulta em 25/09/2026).