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Guia completo

Atividades para dislexia, discalculia e disgrafia

Equipe iPsy
Atualizado em 15 min de leitura
Psicopedagogia e neuropsicopedagogia

Folha bonita para imprimir não trata dislexia. O que ajuda um aluno com transtorno de aprendizagem é treino explícito, curto e frequente da habilidade que falta, na ordem certa, com alguém acompanhando o erro na hora. A atividade é só o veículo.

Este guia reúne atividades próprias para dislexia (leitura), discalculia (matemática) e disgrafia (traçado da escrita), separadas por etapa escolar, com o que observar em cada uma. Servem para a professora em sala, para o AEE e para a psicopedagoga no consultório, com ou sem diagnóstico fechado.

1. Antes de começar: o que cada transtorno afeta

O que fica difícilOnde aparece
DislexiaDecodificar palavras com precisão e fluência; relacionar som e letraLeitura lenta e silabada, trocas, compreensão prejudicada pelo esforço de decodificar
DiscalculiaSenso numérico, fatos básicos, procedimentos de cálculoConta nos dedos por muito tempo, não estima, se perde no valor posicional
DisgrafiaTraçado e organização motora da escritaLetra ilegível, pressão excessiva, lentidão, cansaço na mão
DisortografiaOrtografia, mesmo com leitura razoávelErros persistentes de regra e de som parecido

O diagnóstico de transtorno de aprendizagem é multiprofissional. Mas a intervenção não espera o laudo: a Lei nº 14.254/2021 manda acompanhar o mais cedo possível o aluno com alterações na leitura e na escrita (art. 3º). Os sinais e a forma de avaliar cada um estão nos guias de dislexia e discalculia e nas triagens de dislexia, discalculia e disgrafia.

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2. Os 6 princípios que valem para as três

  1. 1Uma habilidade por vez. “Ler melhor” não é meta. “Ler palavras com lh e nh sem trocar” é.
  2. 2Do concreto ao abstrato. Objeto, depois figura, depois símbolo. Na matemática: palitos, desenho, número.
  3. 3Explícito. Mostre a regra ou o procedimento antes; não espere que a criança descubra sozinha.
  4. 4Curto e frequente. 15 a 20 minutos, três a cinco vezes por semana, rendem mais que uma sessão longa.
  5. 5Ajuda que diminui. Primeiro você faz, depois juntos, depois ela sozinha. Anote o tipo de ajuda que ainda precisa.
  6. 6Meça. Palavras lidas por minuto, contas certas em 2 minutos, linhas escritas sem dor. Sem número, não dá para saber se está funcionando.

3. Atividades para dislexia por ano escolar

Criança lendo um livro com uma régua-guia sob a linha e as sílabas destacadas em cores alternadas, enquanto a psicopedagoga acompanha com cronômetro e um gráfico que sobe.
  1. 1Régua-guia sob a linha que está sendo lida
  2. 2Sílabas destacadas em cores alternadas
  3. 3Leitura cronometrada e registrada num gráfico
Ilustração: leitura guiada, com sílabas destacadas, régua-guia e registro da fluência.

1º e 2º ano: som e letra

  1. Letra que fala. Cartões com uma letra de um lado e uma figura que começa com o som dela do outro. A criança diz o som (não o nome) e vira o cartão para conferir. Dez cartões por dia, misturando os que já sabe com dois novos.
  2. Monta e lê. Com letras móveis, monte palavras de três letras (sol, mar, pão). A criança lê, você troca uma letra, ela lê de novo. A troca mostra que cada letra importa.
  3. Pares que confundem. Para quem troca b/d ou p/q: uma letra por vez, com um gesto fixo para cada uma e uma palavra-chave desenhada. Só junte as duas quando cada uma estiver firme.

Se a criança ainda não percebe os sons dentro das palavras, comece um passo antes, pelas atividades de consciência fonológica.

3º ao 5º ano: fluência e compreensão

  1. Leitura repetida cronometrada. Um texto curto (60 a 100 palavras) lido três vezes na semana. Conte as palavras certas por minuto e marque num gráfico. A criança vê a barra subir, e é isso que mantém a motivação.
  2. Sílaba colorida. Em palavras longas, pinte as sílabas em duas cores alternadas. Retire a cor quando a leitura daquela lista ficar fluente.
  3. Leitura em eco. Você lê uma frase com entonação, a criança repete acompanhando com o dedo. Depois troquem: ela lê, você repete.
  4. Pergunta antes do texto. Dê duas perguntas antes de ler. A criança lê procurando as respostas, em vez de decodificar tudo sem saber para quê.

6º ao 9º ano: estratégia e autonomia

  1. Mapa do texto. Antes de ler um texto de Ciências ou História, o aluno olha título, imagens e negritos e escreve em três linhas do que acha que trata. Depois lê e confere.
  2. Banco de palavras da matéria. Palavras longas e técnicas da unidade (fotossíntese, Mesopotâmia) separadas em sílabas e lidas antes da aula.
  3. Leitura com áudio. O aluno acompanha o texto escrito enquanto ouve a leitura em voz alta (audiolivro, leitor de tela). Treina vocabulário sem travar na decodificação.

4. Atividades para discalculia por ano escolar

Mesa vista de cima com palitos amarrados em grupos de dez, ábaco, dado, reta numérica, quadro de dez com fichas e moedas de brinquedo, com duas mãos segurando os palitos.
  1. 1Palitos em grupos de dez para o valor posicional
  2. 2Quadro de dez para ver quantidades sem contar
  3. 3Reta numérica para comparar e estimar
  4. 4Dinheiro de brinquedo para cálculo do dia a dia
Ilustração: na discalculia, o número começa no material que a criança pode pegar.

1º e 2º ano: quantidade

  1. Olhou, sabe. Mostre por 2 segundos um quadro de dez com 3, 5 ou 7 fichas e esconda. Quantas eram? O objetivo é reconhecer quantidades pequenas sem contar uma a uma.
  2. Quem tem mais? Dois punhados de botões. A criança estima qual tem mais, depois confere contando. Passe para números escritos só quando a comparação com objetos estiver firme.
  3. Amigos do 10. Com o quadro de dez: tem 6, quantas faltam para 10? Repetir até virar automático, porque é a base de quase todo cálculo mental.

3º ao 5º ano: valor posicional e procedimentos

  1. Amarra de dez. Palitos soltos viram amarrados de 10 e amarrados viram pacotes de 100. A criança representa 237 com o material antes de escrever. O “vai um” passa a ter sentido: é amarrar dez palitos.
  2. Reta numérica vazia. Uma linha só com 0 e 100 nas pontas. Onde fica o 50? E o 73? Treina estimativa e ordem de grandeza.
  3. Fato do dia. Um fato da tabuada por dia, com estratégia: 6 × 7 é 6 × 5 mais 6 × 2. Cartão no bolso, conferido na saída.
  4. Mercadinho. Dinheiro de brinquedo e encartes de mercado. Comprar com R$ 20, conferir o troco. A conta aparece com um motivo.

6º ao 9º ano: frações e problemas

  1. Fração de papel. Tiras de papel do mesmo tamanho dobradas em 2, 3, 4, 6 e 8 partes. Qual é maior, 2/3 ou 3/4? A resposta vem da tira, não da regra.
  2. Problema desmontado. O aluno sublinha o que pergunta, circula os dados e faz um desenho antes de escolher a operação.
  3. Calculadora como ferramenta. Em problemas de várias etapas, a calculadora libera a cabeça para o raciocínio. O treino de fatos fica em outro momento.

Para orientar a família, as atividades de matemática para casa trazem jogos rápidos para fazer na rotina. As atividades de intervenção em discalculia fazem parte do Combo de Testes Psicopedagógicos.

5. Atividades para disgrafia por ano escolar

Três quadros numerados: mãos apertando massinha e pregadores, criança traçando zigue-zague na areia com o dedo e outra escrevendo com lápis adaptado em caderno de linhas largas.
  1. 1Força e controle da mão: massinha e pregadores
  2. 2Traçado grande com o dedo na areia
  3. 3Escrita com lápis adaptado e linhas destacadas
Ilustração: força da mão, traçado com o corpo e só então o lápis, nessa ordem.

1º e 2º ano: mão e traçado

  1. Ginástica da mão. Antes de escrever, dois minutos de massinha: rolar uma cobrinha, fazer bolinhas com a ponta dos dedos, abrir e fechar pregadores com o polegar e o indicador.
  2. Letra grande primeiro. Trace a letra no ar com o braço inteiro, depois com o dedo na areia ou no sal, depois no quadro e só então no caderno. Sempre com a direção certa do movimento.
  3. Caminho entre linhas. Labirintos e trilhas entre duas linhas paralelas que vão ficando mais estreitas. Treina controle sem a cobrança da letra.

3º ao 5º ano: legibilidade

  1. Linha de três cores. Caderno com as faixas pintadas: céu, grama e terra. A criança sabe onde cada parte da letra começa e termina.
  2. Uma família por semana. Letras com o mesmo movimento juntas (c, a, d, g, q começam pela curva). Três linhas por dia, com autocorreção: a criança circula a melhor letra da linha.
  3. Espaço de um dedo. Entre uma palavra e outra, um dedo. Simples e muda muito a leitura do texto.

6º ao 9º ano: velocidade e alternativas

  1. Escrita com tempo. Copiar uma frase por um minuto, contar as palavras e ver se dá para ler. Busque o equilíbrio entre velocidade e legibilidade, não a letra perfeita.
  2. Esquema em vez de cópia. Em vez de copiar o quadro inteiro, o aluno faz um esquema com palavras-chave ou recebe o conteúdo impresso.
  3. Teclado. Digitação treinada como habilidade, para trabalhos longos. Não substitui a escrita à mão, mas evita que a mão limite o que o aluno sabe.

Para começar sem custo, o Pack As Outras Dis traz avaliação e intervenção em dislexia, disgrafia e discalculia, grátis com cadastro. Na Biblioteca do iPsy, também com conta gratuita, o Pacote Escrita - Ortografia e Produção Textual reúne atividades de escrita, o Pacote Leitura e Compreensão apoia o trabalho de dislexia e o Pacote Matemática Básica complementa as atividades de discalculia.

6. O que adaptar em sala

DislexiaDiscalculiaDisgrafia
Ler o enunciado da prova em voz altaTabuada ou material concreto disponíveis na provaAvaliar o conteúdo, não a letra
Tempo extra em provasMenos contas, mais raciocínioTempo extra e menos cópia do quadro
Fonte maior e espaçada, poucas linhas por páginaFolha quadriculada para alinhar os númerosProva oral ou digitada quando possível
Não pedir leitura em voz alta para a turma sem combinarProblemas com contexto do dia a diaCaderno com pauta ampliada

Adaptar não é facilitar o conteúdo: é tirar a barreira que impede o aluno de mostrar o que aprendeu. As adaptações podem ser organizadas num plano individual, com a mesma estrutura do PEI, e o passo a passo está em adaptação curricular na prática.

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7. Como registrar a evolução

Escolha uma medida simples por meta e registre a cada duas semanas: palavras lidas corretamente por minuto, fatos de adição certos em dois minutos, palavras legíveis copiadas em um minuto. Anote também o tipo de ajuda: sozinho, com dica, com modelo. Em oito a doze semanas, compare. Se a curva não sobe, mude a atividade, não a criança.

No consultório, essas metas formam o plano de intervenção psicopedagógica. No iPsy Tools, cada sessão fica registrada no caso da criança, com as metas e a evolução no mesmo lugar, prontas para a devolutiva.

Fontes

Dúvidas comuns sobre atividades para dislexia

Quais atividades ajudam uma criança com dislexia?
Treino explícito da relação entre som e letra, leitura repetida de textos curtos com registro da fluência, leitura em eco e leitura com perguntas definidas antes. Sessões curtas e frequentes funcionam melhor que longas.
Precisa de laudo para começar as atividades?
Não. A intervenção pedagógica pode começar assim que a dificuldade aparece. A Lei nº 14.254/2021 pede acompanhamento o mais cedo possível, e o diagnóstico multiprofissional pode correr em paralelo.
Como trabalhar discalculia em sala?
Começando pelo concreto (palitos, quadro de dez, reta numérica), treinando fatos básicos com estratégia e permitindo apoio na prova, como tabuada ou calculadora em problemas de várias etapas.
O que fazer com um aluno com disgrafia?
Trabalhar força e controle da mão, traçado grande antes do caderno, caderno com linhas destacadas e, nos anos finais, alternativas como esquemas, conteúdo impresso e digitação. Na avaliação, considere o conteúdo, não a letra.
Atividades para dislexia no 4º ano: por onde começar?
Por medir a fluência atual (palavras lidas por minuto num texto do nível do aluno) e escolher uma meta. Leitura repetida cronometrada, sílabas coloridas em palavras longas e perguntas antes do texto são um bom começo.
Quanto tempo leva para ver resultado?
Em geral, de 8 a 12 semanas de trabalho regular para ver mudança medida. Se não houver avanço nesse prazo, revise a atividade, a frequência e a meta.